domingo, 27 de setembro de 2009

Visita

http://www.artnet.com/ag/fulltextsearch.asp?searchstring=Don+Van+Vliet

Ele apareceu na sala enquanto meus olhos estavam fechados e disse:
"Vim para ver o estado das coisas!"
Eu olhei para ele tentando ser natural diante de uma manisfestação sobrenatural.
E disse em tom formal:
"Sim, que interessante. E você pretende começar por onde?"
"Pelas relações humanas é claro! O que mais pode ser importante do que o comportamento dos humanos nesse tempo?"
Eu pensei por alguns segundos e tentei projetar para os próximos momentos onde aquela conversa poderia ir e o que eu poderia fazer com aquela aparição.
"Eu não sei por onde você possa começar, você deixou as coisas no meio da segunda guerra. A guerra acabou, o comunismo acabou, surgiu a internet..."
Ele me interrompe deixando claro a pouca importância do que eu estava dizendo.
"Não se aflija meu caro, eu sei bem por onde começar... Começarei por você que certamente representa tudo e todos do seu tempo. Nossa conversa será longa, pegue um copo d'agua e se prepare."
Nossa conversa se iniciou não sei bem por que assunto.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Em CONTO




O leito da minha vida passa longe

Você surgiu na década completa

Os caminhos nos ajudam a entender os encontros?

Os encontros é que formam os caminhos?


Prefiro a lógica aborígene que faz das trilhas a mais sagrada obrigação ritual

Mas fui inteiro e dessa inteireza surgiu aquele faixo de luz que une


A nossa grande preocupação por explicar está terminada

Não há explicação pra quase nada no que sentimos e tocamos


O leito da minha vida passa longe

Longe das trilhas

Longe daquela ilhazinha que sucumbe a enxurada de razões, desejos, fé e ressentimento

A culpa é como o assoreamento, ela dói e ela destrói


O leito da minha vida te encontrou
E assim, nessa traquilidade das águas, nos entregamos


terça-feira, 1 de setembro de 2009

|O|F|A|N|T|A|S|M|A|


Eu já desconfiava que você é um fantasma.
Fantasmas não sabem a diferença entre exercício de maldade e crítica.
Eles só vagam por aí tentando chegar a um fim.
Defino fantasma com a sabedoria e segurança que nunca foi me dada. Não aceito que tripudiem da minha inocência, mas aceito que me façam inocente.

A diferença é mais profunda quando olho nos seus olhos e vejo aquela chama da paixão.
Me parece que essa chama, não é um chamamento é tão somente um fenômeno químico, físico, natural...

Sempre me envolvo com fantasmas. Essa é minha missão.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

BO-CE-JO
















Entendo a nossa busca por sentido. Entendo nossa busca por controle. Me parece que existe uma falta de sentido inerente na procura constante por sentido. Já que nos foi dado o universo e este é infinito, será também infinita a busca por sentido (?). Então deparei-me com esse trecho escrito por Victor Hugo (Os Miseráveis):

O conjunto era glacial, regular, horrível. Nada melhor para entristecer o coração do que a simetria. É que a simetria é o tédio, e o tédio é a base do luto. O desespero boceja. Por acaso pode-se imaginar algo mais terrível que um inferno onde se sofre? Perfeitamente, se criarmos um inferno onde o condenado se entedie.

domingo, 2 de agosto de 2009

Tempo



Lendo Borges chegou-me uma citação de Schopenhauer:

"Felizmente para nós, nossa vida é dividida em dias e noites, nossa vida é interrompida pelo sono. Levantamo-nos pela manhã, passamos nosso dia, em seguida dormimos. Se não houvesse o sono, seria intolerável viver, não seríamos donos do prazer. A totalidade do ser é impossível para nós. Assim, dão-nos tudo, mas de forma gradual."

E Borges completa:

A transmigração corresponde a uma idéia parecida. Seríamos, ao mesmo tempo, talvez como crêem os panteístas, todos os minerais, todas as plantas, todos os animais, todos os homens. Felizmente, porém, não o sabemos. Felizmente, cremos em indivíduos.
Do contrário, nos sentiríamos oprimidos, aniquilados com essa plenitude.

Tempo é só o que nos resta...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

ponto | equilíbrio




Desde sempre o desejo.
Quase sempre as mãos em busca de tudo.
Se não foi assim que entendi nossa conversa, foi porque não houve conversa. Mas o que eu pretendia vestindo minha cueca da sorte? Desde quando eu me movi para estar exatamente naquele lugar e em frente aquele copo de fermentada delícia?
Não há uma só resposta que não seja válida para a ocasião. Ela me olhou, me tocou e pediu muito mais do que eu estava disposto a dar. Para minha surpresa cedi... Dei tudo o que sou.
E o copo ficou vazio.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Borges

A músca, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, certos crepúsculos e certos lugares querem dizer algo, ou algo disseram que não deveríamos ter perdido, ou estão prestes a dizer algo; essa eminência de uma revelação, que não se produz, é talvez o fato estético.